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Propina de R$ 3 milhões de Bendine estava em ‘sacos plásticos’
10/08/17 as 05:20 am
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Em 17 de junho de 2015, dois dias antes do empresário Marcelo Bahia Odebrecht ser preso pela Polícia Federal, em sua mansão no Morumbi, em São Paulo, alvo da Operação Lava Jato, o taxista Marcelo Marques Casemiro foi contratado por um publicitário de Recife (PE) para ir até um edifício residencial no bairro Paraíso, em São Paulo, receber uma encomenda. Era um pacote com R$ 1 milhão em dinheiro vivo que a Odebrecht mandou entregar como primeira das três parcelas da propina do ex-presidente da Petrobrás e do Banco do Brasil Aldemir Bendine. Casemiro afirmou, em março de 2016, à Polícia Federal que foi pago pelos donos da Arcos Propaganda, Antonio Carlos Vieira da Silva Junior e André Gustavo Viera da Silva, para ir até o apartamento de número 43, do Edifício Option Paraíso em outras duas datas, 24 de junho e 1º de julho de 2015, com a mesma missão: receber “encomendas” de um pessoa. Eram “sacos plásticos” que continham R$ 1 milhão em dinheiro vivo cada, destinados a Benine, preso na 42ª fase da Operação Lava Jato, no dia 27. “Fez tudo isso para atender pedidos do senhor Antonio, o qual encontrava-se na cidade de Recife, e, por confiança depositada no declarante, o pedia para ir nesse endereço e receber encomendas que seriam lá entregues”, afirmou Casimiro, quando foi ouvido na Operação Xepa, que desmontou o departamento da propina da Odebrecht, em março de 2016. O nome de Casemiro, o endereço e senhas associadas ao codinome “Cobra” registradas nos arquivos das secretárias do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht – a máquina de fazer propinas do grupo, que movimentou US$ 3,3 bilhões entre 2006 e 2015 – e levaram a Lava Jato até os donos da Arcos e aos pagamentos de corrupção de Bendine. O taxista, que prestava serviços para os donos da Arcos, disse à PF que não sabia que estava recebendo dinheiro. “Não sabia que se tratava de dinheiro, pois o que recebeu foram pacotes fechados de plástico.”