O Banco de Brasília (BRB) oficializou na segunda-feira (9), junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a renúncia de Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo ao cargo de diretor Jurídico da instituição. O executivo, que havia assumido a função em dezembro de 2024 por indicação do governador Ibaneis Rocha, deixará o posto formalmente no próximo sábado (14).
A instituição não chegou a detalhar no comunicado os motivos específicos da saída nem anunciar um substituto para a pasta jurídica. A movimentação na cúpula do banco ocorre em um momento de forte instabilidade, desencadeada pelo envolvimento do BRB com o Banco Master, que sofreu liquidação extrajudicial pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025.
O BRB também anunciou, nesta segunda-feira, a posse de Ana Paula Teixeira como nova diretora executiva de Controles e Riscos. Com vasta experiência no Banco do Brasil, a chegada da executiva é vista como uma tentativa da administração de fortalecer a governança corporativa e recuperar a integridade institucional diante das recentes investigações.
Investigações e impacto financeiro
O centro da crise reside em operações realizadas entre 2023 e 2024, quando o BRB adquiriu carteiras de crédito do Banco Master avaliadas em R$ 12,2 bilhões. Auditorias posteriores e depoimentos colhidos pela Polícia Federal indicam que esses ativos estariam superfaturados ou seriam inexistentes, gerando um rombo estimado em R$ 5 bilhões no balanço do banco público.
A situação de Jacques Veloso tornou-se delicada após a revelação de documentos ambíguos: enquanto um parecer técnico assinado por ele alertava para riscos de liquidez nas operações, vídeos internos mostravam o executivo defendendo a aquisição do Master, que acabou vetada pelo Banco Central antes da liquidação.
Para tentar estancar a crise de credibilidade e recompor seu patrimônio, o BRB apresentou ao BC um plano de capital que prevê medidas emergenciais em um prazo de 180 dias. O aporte necessário para estabilizar a instituição pode chegar a R$ 5 bilhões. O processo tem sido acompanhado de perto pelo Governo do Distrito Federal, que detém a maioria do capital social BRB.

