O resultado das eleições de 2026 pode provocar uma nova movimentação partidária na Bahia. Ao menos 15 deputados eleitos pelo estado — quatro federais e 11 estaduais — poderão mudar de partido sem perder o mandato, em razão do desempenho das legendas pelas quais foram eleitos na cláusula de desempenho.
Entre os deputados federais estão Pastor Sargento Isidório, Neto Carletto e Elmo Vaz, do Avante, e Félix Mendonça Júnior, do PDT. As duas siglas não atingiram os requisitos da cláusula de barreira nas eleições deste ano.
Na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), a possibilidade envolve 11 parlamentares: cinco eleitos pelo Avante, cinco pelo PDT e Kleber Rosa, eleito pelo PSOL, que disputou a eleição pela Federação PSOL/Rede. A federação também não alcançou os critérios nacionais exigidos.
Como funciona a regra
Em 2026, para superar a cláusula de desempenho, os partidos ou federações precisavam obter pelo menos 2,5% dos votos válidos para deputado federal, distribuídos em ao menos nove estados, com mínimo de 1,5% em cada um deles; ou eleger 13 deputados federais distribuídos em pelo menos nove estados.
PDT, Avante e a Federação PSOL/Rede ficaram abaixo dos critérios. No caso do PDT, a legenda obteve cerca de 1,6% dos votos nacionais e elegeu seis deputados federais. Já PSOL/Rede elegeu 15 deputados, mas não alcançou a distribuição mínima por nove estados.
A legislação prevê que parlamentares eleitos por partidos que não atingiram a cláusula possam migrar para uma legenda que tenha cumprido os requisitos sem perder o mandato. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já confirmou que essa possibilidade também se aplica a deputados estaduais.
Na prática, o cenário abre espaço para negociações partidárias na Bahia a partir da nova legislatura, com possíveis mudanças nas bancadas da Câmara dos Deputados e da Assembleia Legislativa.

