A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou, nesta terça-feira (27), o primeiro modelo de profissionalização da arbitragem nacional. O projeto irá contemplar, inicialmente, cerca de 72 árbitros e contará com um investimento de R$ 195 milhões no biênio 2026/2027.
Durante o evento, o presidente da entidade, Samir Xaud, apresentou os principais pontos do novo modelo e detalhou como serão os contratos firmados com os profissionais da arbitragem. “A partir de agora, árbitros de campo, assistentes e o VAR da Série A terão contrato com a CBF. Eles terão uma remuneração fixa, uma cota por jogo e uma rede de apoio com preparador físico, fisioterapeuta, nutricionista e psicólogo. Os árbitros também passarão por avaliações técnicas e físicas. A partir de agora, eles serão profissionais”, afirmou o dirigente.
Na reunião, a CBF também apresentou a metodologia do Grupo de Trabalho da Arbitragem, que será baseada na análise da situação atual dos árbitros brasileiros, no mapeamento e estudo de ligas europeias, em reuniões e entrevistas com lideranças mundiais da arbitragem, na definição de um modelo profissional para o Brasil e no desenvolvimento de uma proposta adequada à realidade do país.
Durante os debates, foram apontadas as principais reclamações dos clubes e dos árbitros. As equipes destacaram a falta de critérios uniformes nas decisões, problemas no protocolo de uso do VAR, pouca transparência nos processos da arbitragem e dificuldades de compreensão das regras do jogo. Já os árbitros apontaram a ausência de um modelo profissional, a falta de estabilidade financeira, treinos e cuidados com a saúde sem maior amparo da CBF, além de falhas na transparência e na comunicação com os clubes.
Um dos coordenadores do grupo de trabalho, Davi Feques, anunciou oficialmente o Programa de Profissionalização da Arbitragem. O projeto será inspirado em práticas internacionais e estruturado em quatro pilares: estrutura geral, excelência em saúde, capacitação técnica e tecnologia e inovação.
Outra novidade apresentada foi a criação de um ranking dos árbitros profissionais, com avaliações baseadas em critérios como controle de jogo, aplicação das regras, desempenho físico e comunicação. Ao final de cada temporada, dois árbitros deixarão o grupo profissional, enquanto outros dois serão promovidos.
De acordo com o cronograma divulgado pela CBF, os contratos com os árbitros serão assinados em fevereiro, e a implementação do modelo profissional terá início em março.
