O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta quarta-feira (28) que os países latino-americanos e caribenhos se integrem e criticou o uso da força nas relações internacionais. As declarações ocorreram em discurso proferido durante sua viagem ao Panamá, onde participa do Fórum Econômico Internacional da América Latina.

A fala se refere ao contexto de tensão no continente. Liderados por Donald Trump, os Estados Unidos capturaram o agora ex-ditador da Venezuela Nicolás Maduro e o levaram para ser julgado em solo americano. Washington também tem pressionado para reduzir o acesso da China canal do Panamá, ligação entre os oceanos Pacífico e Atlântico fundamental para o trânsito de mercadorias vendidas no mercado internacional.
“Não há nenhuma possibilidade de qualquer país da América Latina sozinho achar que vai resolver os problemas”, disse. “Guiados pelo pragmatismo, podemos superar divergências ideológicas e construir parcerias sólidas e positivas dentro e fora da região. Essa é a única doutrina que nos convém. Seguir divididos nos torna todos mais frágeis.”

O presidente tem manifestado preocupação com o esvaziamento de espaços de discussão e deliberação entre países da região. Diversos países da região elegeram governos à direita e que dão menos ênfase às relações com os vizinhos -o principal exemplo é a Argentina de Javier Milei.
No Panamá, Lula citou como exemplo da falta de integração a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos. “A Celac não consegue produzir nem mesmo uma única declaração contra intervenções militares ilegais que abalam nossa região”, disse.

“A história mostra que o uso da força jamais pavimentará o caminho para superar as mazelas que afligem esse hemisfério que é de todos nós. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos, constituem gestos anacrônicos e retrocessos históricos.”

Lula também mencionou “corolários e doutrinas”, em referência à Doutrina Monroe e ao Corolário Roosevelt, ideias propostas pelos ex-presidentes americanos James Monroe e Theodore Roosevelt que foram determinantes para os americanos imporem suas vontades sobre o resto do continente.
O presidente Donald Trump tenta, inclusive, emplacar uma nova versão da doutrina, rebatizando-a com uma mistura que inclui seu próprio nome -Doutrina Donroe.

Lula fez em seu discurso, porém, uma ressalva sobre épocas em que Washington foi parceira dos vizinhos latino-americanos e caribenhos. A referência foi ao governo de Franklin Delano Roosevelt, época em que os EUA adotaram uma política de “boa vizinhança” com os países próximos.

By Laiana

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