Trabalho coletivo, atividades que estimulam o pensamento e acompanhamento próximo dos estudantes estão entre as estratégias que ajudaram escolas municipais de Camaçari a alcançar resultados positivos no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025.

Antes de chegar ao resultado, existe uma história construída todos os dias dentro da sala de aula. No município, o avanço da rede no Ideb tem entre seus destaques duas escolas que encontraram caminhos próprios para fortalecer a aprendizagem e envolver estudantes, professores e famílias nesse processo.

Nos Anos Iniciais, a Escola Municipal Colônia Montenegro, localizada no bairro Loteamento Montenegro, alcançou nota 7,0, resultado que, para a equipe escolar, representa o reconhecimento de um trabalho coletivo desenvolvido ao longo da rotina educacional. A unidade atende 96 estudantes, da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I.
À frente da escola em 2025, quando a avaliação foi realizada, a então gestora Ana Paula de Oliveira Caldas Silva conta que o trabalho desenvolvido envolveu a construção de um ambiente questionador, capaz de auxiliar os estudantes na formação de opinião e pensamento crítico. “Foi um trabalho árduo, com atividades que estimulam os alunos a pensar”, relatou.
Para a coordenadora pedagógica Regina Célia Souza da Cruz, o resultado traduz o esforço de acompanhar de perto cada estudante, junto com a participação das famílias. “A gente comemorou como se tivesse recebido um troféu, porque viu o resultado de muito esforço e muita dedicação. Os professores trabalharam com simulados, entendendo a dificuldade que cada aluno tinha naquela habilidade e o que fazer para ele alcançar o quadro de progressão”, enfatizou.

Os estudantes da Escola Municipal Colônia Montenegro percebem a diferença na própria experiência de aprender. Para Daniela Oliveira Silva, 11 anos, uma das coisas que tornam a escola especial são as atividades que saem da sala de aula. “Acho muito bom estudar aqui. Gosto principalmente quando fazemos atividades na área externa. E também de seminário, que acho que assim aprendemos bem mais”, disse a estudante do 5º ano.
A opinião é compartilhada ainda por Myrella Santos Simões, 11 anos, também estudante do 5º ano. “Gosto quando a professora faz atividades interativas e aulas lúdicas. Aqui é muito legal”, afirmou.
No bairro de Parafuso, outra escola também tem motivos para comemorar. A Escola Municipal Eustáquio Alves Santana, que atende 213 estudantes do Ensino Fundamental II, registrou o maior crescimento entre as unidades de ensino nos Anos Finais: a nota saltou de 2,8 para 4,4 no Ideb.
Para a gestora Aletis Lima da Silva, o resultado tem muitos autores. “Atribuímos o resultado a um trabalho em equipe, à determinação e, principalmente, ao apoio da comunidade: dos pais, dos alunos, da equipe da escola e da equipe pedagógica. Então, esse resultado é um presente para todos”, destacou.
Na rotina pedagógica, o coordenador Valdir Dias explica que a equipe planeja intervenções valorizando aspectos qualitativos e trazendo uma visão mais humanizada para o processo educacional. “Isso é fruto do empenho dos professores. Do ponto de vista pedagógico, eles apresentam um trabalho consistente, diagnosticando e trabalhando as habilidades e competências em que os alunos demonstraram menos rendimento”.
Para quem está dentro da sala de aula, os efeitos desse trabalho também aparecem para além dos muros da escola. Larissa Reis, 14 anos, estudante do 8º ano, acredita que o conhecimento construído diariamente é útil em diferentes momentos da vida. “O trabalho no dia a dia nos ajuda não só aqui na escola, mas também fora dela, pois utilizamos no cotidiano. São assuntos importantes e ótimos professores”, afirmou.
Também do 8º ano, Yasmim Vieira, 14 anos, destaca aquilo que leva consigo para além dos conteúdos. “O trabalho desenvolve nosso crescimento como cidadão e ser humano. É muito importante que a gente pegue esses ensinamentos e leve para a vida lá fora, como respeito e educação”, disse.
No 9º ano, Izabel Lima, 14 anos, aponta o estímulo ao pensamento crítico como um dos diferenciais. “A escola é importante, pois estimula o pensamento crítico. Os professores trazem os assuntos de forma lúdica, pensando na diferença de cada aluno”, afirmou.
Já Isllan Santos, 13 anos, resume a importância do aprendizado pensando no presente e no futuro. “Todo aprendizado que obtemos em sala é essencial na nossa vida em muitos aspectos. O que os professores nos ensinam é útil agora e para o nosso futuro”, declarou o aluno do 8º ano.
Os resultados das duas escolas fazem parte de um movimento mais amplo da rede municipal. Nos Anos Iniciais, a média das escolas de Camaçari passou de 5,07 para 5,30. Já nos Anos Finais, o índice avançou de 3,97 para 4,19. Outro dado que chama atenção é que 70% das escolas dos Anos Iniciais e 60% das escolas dos Anos Finais ampliaram suas notas em relação à avaliação anterior.

Para a Secretaria de Educação de Camaçari (Seduc), os resultados reafirmam o compromisso com uma educação pública transformadora. Os relatos e experiências em cada unidade escolar reforça que quando professores, gestores, coordenadores, estudantes, famílias e comunidade trabalham juntos, a aprendizagem deixa de ser apenas uma meta e passa a ser uma construção coletiva.

By Laiana

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