A Secretaria da Saúde (Sesau) promoveu na manhã desta terça-feira (21), no Teatro Cidade do Saber (TCS), a capacitação de cerca de 400 profissionais, entre gestores de saúde, Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE). A etapa, faz parte da implementação do Método Wolbachia no município. A iniciativa marca mais um avanço das estratégias de enfrentamento às arboviroses e prepara as equipes que atuarão diretamente no processo de comunicação e engajamento da população, fase essencial para o sucesso da tecnologia que será implantada em Camaçari.
A proposta é qualificar os agentes para que se tornem multiplicadores das informações, esclarecendo dúvidas da comunidade e fortalecendo a confiança dos moradores em relação à iniciativa. A comunicação comunitária é considerada um dos pilares operacionais do método, antecedendo a liberação dos mosquitos e contribuindo para a aceitação social da estratégia.
A titular da Sesau, Rosangela Almeida, enfatizou que a nova estratégia chega para fortalecer as ações já executadas no combate ao mosquito Aedes aegypti e demais vetores. “Camaçari foi escolhida pelo Ministério da Saúde para ser uma das cidades piloto da Bahia na implantação do Método Wolbachia. Essa tecnologia apresenta cerca de 90% de eficácia na redução da transmissão das arboviroses, e vem para somar às ações permanentes de prevenção já realizadas no município”, afirmou.
O treinamento, conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) por videoconferência, apresentou aos profissionais os fundamentos científicos do Método Wolbachia, a dinâmica de implementação da estratégia, os protocolos de atuação em campo e, principalmente, as técnicas de comunicação e mobilização social que serão utilizadas junto à população.
Conduzido em todo Brasil pela Fiocruz, em parceria com o Ministério da Saúde, o Método Wolbachia consiste na liberação de mosquitos Aedes aegypti contendo a bactéria Wolbachia, naturalmente presente em cerca de 60% dos insetos, mas não no Aedes aegypti.
A bactéria impede que os vírus da dengue, zika e chikungunya se desenvolvam dentro do mosquito, reduzindo significativamente a transmissão dessas doenças. A tecnologia é considerada segura, natural, autossustentável e já foi implementada em diversas cerca de 11 cidades brasileiras e em outros países, apresentando resultados expressivos na redução da incidência de arboviroses.
O coordenador do Centro de Controle de Zoonoses de Camaçari (CCZ), Joselito Amorim, detalhou sobre as etapas que envolvem a implementação do método e a aproximação com a comunidade. “Já realizamos uma pesquisa para avaliar o conhecimento da população sobre o Wolbachia. Agora, após essa capacitação, nossos agentes passarão a atuar como porta-vozes da estratégia em 21 bairros do município, levando informações claras e acessíveis sobre o método, que não elimina totalmente a transmissão das arboviroses, mas reduz significativamente sua ocorrência. Depois, faremos uma nova pesquisa para medir o quanto a população passou a conhecer e compreender essa tecnologia”, disse.
No decorrer da formação, o médico veterinário do CCZ, Max Rezende, destacou que, além dos excelentes resultados obtidos contra o Aedes aegypti, pesquisadores também estudam a aplicação da Wolbachia em outros vetores, como o Anopheles, transmissor da malária, e o Culex, associado à febre do Nilo Ocidental. “É uma tecnologia que representa um importante avanço para a saúde pública”, complementou.
Entre os participantes, a agente de combate às endemias Vilma Soares, de 47 anos, que atua no município desde 2005, falou sobre a importância da qualificação para fortalecer o trabalho desenvolvido diariamente nos territórios. “Receber esse treinamento amplia nosso conhecimento e nos dá ainda mais segurança para orientar as pessoas. Nós somos o elo entre os serviços de saúde e a comunidade. Quando a informação chega de forma fácil e ampla, o acolhimento é muito maior e isso fortalece todo o trabalho de prevenção”, opinou.
A expectativa é de que, com o envolvimento das equipes de saúde e da comunidade, Camaçari fortaleça ainda mais as ações e participação social em benefício da saúde pública.

