O feijão, item indispensável no prato do brasileiro, enfrenta um cenário de incertezas na Bahia em 2026. Apesar da projeção de crescimento de 35,3% para a primeira safra deste ano, estimada em 116,9 mil toneladas, a irregularidade climática nas últimas semanas tornou-se o principal gargalo para os produtores baianos, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da Conab.

O estado, que possui sete cidades entre as 50 maiores produtoras agrícolas do Brasil, vive realidades opostas que comprometem tanto o ritmo da colheita quanto a qualidade final do grão.

Contradição climática: Oeste vs. Sudoeste
No Oeste baiano, o problema é o excesso de umidade. Embora a colheita já tenha atingido 88% da área cultivada, as chuvas constantes dificultam a entrada das máquinas nas lavouras e prejudicam o secamento e a qualidade dos grãos.

Já no Sudoeste da Bahia, em cidades como Vitória da Conquista, o cenário é de escassez. A falta de chuvas regulares, somada às temperaturas elevadas, reduziu drasticamente a umidade do solo. Nesse contexto, as estimativas são alarmantes: as perdas de produtividade na região podem chegar a 42,6%, inviabilizando o desenvolvimento pleno das plantações.

Impacto no bolso do consumidor
Essa instabilidade no Matopiba (região que engloba Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí) dita o ritmo do mercado. Enquanto o Piauí registra volumes de chuva mais favoráveis, a crise na produção baiana pode gerar um desequilíbrio no abastecimento regional.

O resultado direto desse impasse climático é o repasse de custos. Caso as perdas se confirmem e a qualidade do grão seja afetada pelo excesso de água ou pela seca, o consumidor final sentirá o impacto nos preços das prateleiras dos supermercados nas próximas semanas.

Previsão para os próximos dias
O alívio não deve vir tão cedo. A tendência é que as chuvas se concentrem apenas no Sul da Bahia, com baixos acumulados nas demais regiões produtoras. Com temperaturas acima dos 30 °C em boa parte do estado, a perda de umidade do solo deve se acelerar, agravando o déficit hídrico onde a seca já castiga as lavouras.

By mario

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