Iniciativa desenvolvida na Escola Experimental Marina Tavares Cardoso de Assis envolve cerca de 250 estudantes e integra educação ambiental, ciência, cultura e saberes tradicionais.
No Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro, experiências que renovam as práticas pedagógicas ganham destaque. Em Camaçari, o Projeto EcoSala, desenvolvido na Escola Experimental Marina Tavares Cardoso de Assis, no bairro Gleba E, transforma a horta escolar em um ambiente de aprendizagem prática e interdisciplinar.
A iniciativa foi selecionada pelo Ministério da Educação (MEC), por meio do Edital nº 1/2026, entre 1.801 experiências inscritas em todo o país. Com o reconhecimento, o projeto passou a integrar o Mapa de Experiências Inspiradoras e a Rede de Trocas, plataformas destinadas à divulgação e ao compartilhamento de práticas inovadoras de educação integral.
Atendendo aproximadamente 250 estudantes da Educação Infantil ao Ensino Fundamental I, a unidade utiliza o espaço ao ar livre para aproximar os conteúdos curriculares da realidade das crianças. A proposta articula conhecimentos de Ciências, Matemática e Língua Portuguesa, além de estimular a criatividade, a investigação e o protagonismo estudantil.
Aprendizagem que ultrapassa a sala de aula
Coordenado pedagogicamente pela equipe escolar, o EcoSala reúne atividades que vão além do cultivo de hortaliças. Os alunos participam do plantio de aipim, banana e plantas medicinais, acompanham o desenvolvimento de pequenos animais e aprendem sobre compostagem com o reaproveitamento de restos de alimentos.
O espaço também contempla experiências relacionadas à cultura e à ancestralidade, como a construção de uma casa de taipa com referências à história africana e quilombola, a debulha do feijão e o preparo de alimentos em fogão a lenha.
De acordo com a coordenadora pedagógica Ivana Bispo, o ambiente natural funciona como um território educativo, no qual as experiências cotidianas são incorporadas ao planejamento pedagógico.
A observação dos animais, por exemplo, também se transforma em atividade de produção textual. Nas aulas de Língua Portuguesa, os estudantes elaboram contos, diários e bilhetes a partir das mudanças observadas durante o desenvolvimento dos bichos, relacionando a vivência prática ao aprendizado da escrita.
Inclusão e participação das famílias
O projeto também favorece a inclusão e oferece diferentes possibilidades de interação e desenvolvimento. A professora do 5º ano, Mônica Lima, destaca que o contato com a natureza estimula a criatividade dos estudantes, inclusive daqueles que precisam de estratégias específicas para participar das atividades escolares.
A participação das famílias fortalece a proposta. Conhecimentos tradicionais sobre o cultivo, os animais e a construção de moradias são compartilhados com os alunos e incorporados às experiências educativas, promovendo o diálogo entre gerações.
A iniciativa também alcança a comunidade do entorno. A terra adubada produzida pelos estudantes por meio da compostagem fica disponível para moradores interessados em cultivar plantas. Além disso, alguns alunos reproduzem em casa o que aprendem na escola, levando a experiência para suas famílias.
Educação ambiental e inovação pedagógica
A utilização de materiais reaproveitados, como garrafas PET para o plantio, demonstra como a escola adapta as atividades aos recursos disponíveis. A proposta incentiva o cuidado com o meio ambiente e mostra que experiências significativas de aprendizagem podem ser desenvolvidas a partir da realidade local.
Com o reconhecimento do MEC, o EcoSala passa a integrar uma rede nacional de compartilhamento de práticas pedagógicas, ampliando as possibilidades de intercâmbio entre educadores e instituições de ensino.
A experiência desenvolvida em Camaçari evidencia como a integração entre natureza, currículo e participação comunitária pode contribuir para uma educação mais prática, inclusiva e conectada à vida dos estudantes.

