Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão conjunta do Congresso Nacional destinada à deliberação dos dispositivos 4, 5, 23 e 25 do Veto nº 51 de 2025 (PLDO 2026). Mesa: presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP). Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não deve criar problema para a aprovação do projeto que termina com a escala de trabalho 6×1 (seis dias trabalhados para um de folga) e reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais.

Alcolumbre entrou em embate direto com o governo Lula ao liderar a votação que derrotou o presidente na indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF (Supremo Tribunal Federal).

De acordo com uma autoridade que mantém interlocução direta com ele, a aprovação da nova escala, de 5×2 (cinco dias trabalhados para dois de folga) está garantida, se depender de Alcolumbre.

Segundo o mesmo interlocutor, o presidente do Senado não criaria problemas que atrapalhariam a base de parlamentares que o apoiam, e que desejam aprovar o projeto por ver nele uma poderosa bandeira eleitoral para o pleito de outubro.

O temor de governistas é que Alcolumbre atrapalhe o andamento da proposta, mesmo diante do apelo popular ao fim da escala 6×1. O senador não concorre à reeleição neste ano e poderia “matar no peito” e travar a PEC, assim como travou a instalação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do banco Master.

Alcolumbre já teria inclusive sinalizado ao governo que não será um empecilho para o andamento da proposta no Senado, que deve examiná-la depois que ela for aprovada pela Câmara dos Deputados.

De acordo com o mesmo interlocutor, o assunto está resolvido, apesar das arestas ainda não aparadas entre Lula e ele.

Um outro interlocutor afirma que Alcolumbre já tinha deixado claro que não se colocaria contra o andamento de pautas positivas que fossem do “interesse do Brasil”. Ele deve aguardar a aprovação da proposta pelos deputados para então indicar o relator da matéria no Senado.

Apesar das sinalizações, o governo considera imprevisível a forma como Alcolumbre lidará com o texto.

Alcolumbre abriu espaço na agenda desta terça (26) para receber empresários da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de SP) e de outros setores que defendem uma transição mais longa para o fim da escala 6×1.

Eles foram pegos de surpresa com a transição de apenas um ano anunciada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), nesta segunda-feira (25).

A percepção é de que não há mais espaço para negociar mudanças na Câmara. A estratégia agora é negociar com o Senado Federal para alongar esse prazo ou tentar segurar o debate para depois da eleição, para que os parlamentares estejam menos suscetíveis a pressões dos eleitores e do governo.

By mario

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