O Vaticano declarou nesta quinta-feira (2) a excomunhão de padres e católicos leigos que fazem parte da Fraternidade São Pio 10º, grupo católico dissidente e ultratradicionalista que ordenou quatro novos bispos sem a aprovação do papa Leão 14.

Na véspera da ordenação, o papa fez um último apelo para que a fraternidade desistisse do plano.

Em um decreto contundente, o Dicastério para a Doutrina da Fé, a principal autoridade de supervisão da Igreja de 1,4 bilhão de membros, alertou católicos de todo o mundo que a fraternidade, com sede na Suíça, agora celebra os sacramentos de forma ilícita.

O grupo, que nega ensinamentos fundamentais da Igreja, não pode oficiar casamentos nem ouvir confissões de forma válida, afirmou o decreto.
A excomunhão atinge os bispos Alfonso de Galarreta e Bernard Fellay, respectivamente sagrante principal e co-sagrante da fraternidade, e os recém-consagrados Pascal Schreiber, Michael Goldade, Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier.

Segundo o documento, eles realizaram “um ato de natureza cismática”, ou seja, a “consagração episcopal de quatro presbíteros sem mandato pontifício e contra a vontade do Sumo Pontífice”. O decreto é assinado pelo cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, e referendado pelos dois secretários do mesmo Dicastério.

“Trata-se da conclusão, infelizmente anunciada, que chega vinte e quatro horas após a solene cerimônia celebrada em Écône, na Suíça, na manhã de 1º de julho de 2026”, diz texto divulgado pelo Vaticano.
O decreto estabelece que, ao realizar a consagração, eles incorreram na excomunhão prevista pelo direito canônico. Segundo a decisão, também devem ser excomungados os fiéis leigos que aderem formalmente à fraternidade.

Em nota explicativa, o Dicastério afirmou que ocorreram muitas tentativas de reconduzir os integrantes do movimento fundado em 1970 pelo bispo francês Marcel Lefebvre (1905-1991) à “plena comunhão com a Igreja Católica”.

By Laiana

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